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       Nº. 11
UnB lança Manual do Estudante Cotista

Guilherme Nunes Pinto, Estudante de geografia (UnB)
e ativista do EnegreSer
Desde o segundo semestre de 2004, a Universidade de Brasília - UnB, por pressão do movimento social negro, foi a primeira universidade federal no país a implementar o sistema de cotas para negras e negros. Entretanto, pouco havia sido feito para evidenciar o público a quem se destina a política de cotas e o próprio formulário de inscrição em que o candidato fazia a autodeclaração, permitia a manifestação do racismo e da farsa.

Nesse sentido, em virtude do movimento negro e de sua ação sobre o sistema de cotas na universidade, a UnB lança o manual do cotista, concebido pelo Coletivo Negro no DF e Entorno – EnegreSer e impresso pela universidade. Trata-se de um folder com a fotografia de onze pessoas negras, entre homens e mulheres, pessoas jovens e maduras, de tez mais e menos escura representando quem deveriam ser os candidatos ao sistema. O folder conta com um breve histórico do movimento negro no Brasil e informações acerca da estrutura da universidade para recepcionar esses estudantes, do funcionamento do sistema, da isenção de taxa de inscrição para o vestibular, das políticas de ações afirmativas e da necessidade de sua implementação

O lançamento do manual do cotista ocorre junto à outras medidas com o mesmo fim como a produção de trinta outdoors que buscam tornar pública a resposta à pergunta cínica inquirida: quem é negro no Brasil? Além da mudança da redação no edital do último vestibular de 2005, que altera o item referente à autodeclaração passando a ser necesário não mais “declarar-se negro de cor preta ou parda”, mas “ser negro de cor preta ou parda”. Apesar de parecer pouco significativa, a alteração é importante para assegurar a integridade do sistema no caso de ações judiciais.

Aprimorando o sistema de cotas na universidade e promovendo a visibilidade de quem é a negritude que se fala, a UnB pode começar a trilhar o caminho do anti-racismo e fazer do compromisso firmado com a população negra uma realidade, o que figura uma esperança, dado o elevado número de pessoas brancas homologadas pelo sistema, como é denunciado pelos cotistas negros.