O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou o Boletim de Conjuntura nº 46 com críticas ao atual modelo de política fiscal e alertas sobre os limites do novo arcabouço para enfrentar a desigualdade social no país. Segundo o boletim, a política de ajuste permanente imposta pelo regime fiscal em vigor compromete a capacidade do Estado de investir em áreas estratégicas como saúde, educação e infraestrutura, além de limitar políticas de geração de emprego e renda. O DIEESE defende a ampliação dos investimentos públicos como condição indispensável para o desenvolvimento, especialmente em um cenário de alta desigualdade. O documento afirma que o foco excessivo no equilíbrio das contas públicas, sem considerar as necessidades sociais, tende a aprofundar a exclusão. Para o órgão, o debate sobre a política fiscal deve incluir a revisão de renúncias tributárias, a tributação de altas rendas e a reformulação do próprio arcabouço fiscal aprovado em 2023. Embora destaque uma recuperação no mercado de trabalho formal — com crescimento de 3,9% nas vagas com carteira assinada no primeiro trimestre —, o boletim alerta para o baixo dinamismo dos salários e a queda na proporção de reajustes acima da inflação. O DIEESE também critica a manutenção de juros elevados e aponta riscos em propostas legislativas em tramitação, como a PEC da autonomia do Banco Central e a reforma administrativa. Leia o Boletim completo.
Obras de Awa Thiam e Cheikh Anta Diop chegam à coleção Biblioteca Africana
Créditos da Imagem: Editora Zahar. Chegam às livrarias brasileiras as edições em português de dois marcos do pensamento africano: Com a palavra, as pretas, da feminista senegalesa Awa Thiam, e Civilização ou barbárie, do historiador Cheikh Anta Diop. Os títulos integram a coleção Biblioteca Africana, da Editora Zahar. No primeiro, Awa Thiam propõe uma crítica à universalização da condição feminina ao destacar como a violência contra mulheres africanas é sistematicamente invisibilizada. Já a obra de Diop reúne décadas de pesquisa para sustentar a tese de que a África é o berço não apenas da humanidade, mas da própria civilização, incluindo as bases do mundo ocidental. As publicações contribuem para ampliar o acesso à produção intelectual africana e para o debate sobre racismo, história e identidade.