Brasília, 11 de setembro de 2025 — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) empossou nesta quarta-feira (10) três novos diretores em cerimônia realizada em Brasília. Entre eles, o advogado sanitarista Thiago Lopes Cardoso Campos, que se tornou o primeiro negro a integrar a diretoria da agência desde a sua criação, em 1999. A solenidade contou com a presença de ministros de Estado, representantes do setor de saúde, servidores públicos e lideranças sociais. Além de Campos, tomaram posse Leandro Pinheiro Safatle, designado diretor-presidente, e Daniela Marreco Cerqueira. Trajetória e perfil Thiago Campos é advogado, com especializações em Direito Sanitário, Gestão de Políticas de Saúde e Gestão Empresarial. Atuou no Ministério da Saúde em cargos técnicos e de gestão, incluindo diretorias na área de trabalho e educação em saúde, além de experiências no setor privado e em consultoria jurídica. Com trajetória marcada pela defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), Campos afirmou que pretende alinhar sua atuação na Anvisa aos princípios de universalidade, equidade e inclusão. Discurso e prioridades Em seu discurso de posse, o novo diretor ressaltou o significado de sua nomeação para a representatividade racial no país: “A presença negra nos espaços de poder segue muito aquém da sua representatividade no nosso país. Assumo, portanto, esse cargo com o compromisso de trabalhar para que a Anvisa continue sendo uma instituição capaz de proteger vidas, reduzir desigualdades e garantir o direito à saúde para todos os brasileiros e brasileiras.” Campos afirmou que suas prioridades à frente da diretoria incluem a modernização dos processos regulatórios, a agilidade nas análises técnicas e o fortalecimento da transparência institucional, com ênfase no alinhamento às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Morre em Brasília a economista Roseli Faria, referência em políticas públicas e no combate ao racismo
Foto: Pedro França/Agência Senado A economista e servidora pública federal Roseli Faria, de 54 anos, faleceu na manhã desta quinta-feira (11), em Brasília. Reconhecida pela dedicação ao serviço público e pelo compromisso com a justiça social, Roseli se tornou uma das maiores referências nacionais em orçamento público e na construção de políticas voltadas à redução das desigualdades sociais e raciais. Natural de Mato Grosso, Roseli construiu uma carreira marcada pelo rigor técnico e pelo compromisso ético. Atuou em diferentes órgãos do governo federal, sendo referência em temas relacionados à transparência, à participação social e à formulação de políticas de enfrentamento ao racismo. Sua trajetória uniu economia, cidadania e militância, abrindo caminhos para uma administração pública mais democrática e inclusiva. O falecimento de Roseli gerou manifestações de pesar em todo o país. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania destacou, em nota oficial, sua contribuição à formulação de políticas para a promoção da igualdade racial e de gênero. O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) ressaltou que sua trajetória foi marcada pela capacidade de “aliar conhecimento técnico e compromisso com a justiça social e racial”. Entidades representativas de servidores públicos, como a Unacon Sindical, também lamentaram a perda. Em comunicado, a associação afirmou que Roseli “foi uma servidora exemplar, dedicada e comprometida com o interesse público”. Além da atuação técnica, Roseli era militante do PSOL e participou de debates nacionais sobre orçamento, cidadania e combate às desigualdades históricas. Seu trabalho foi fundamental para denunciar como a estrutura orçamentária pode reproduzir injustiças, mas também servir como instrumento de transformação social. Roseli Faria deixa um legado de compromisso com o serviço público, com a democracia e com a luta contra o racismo. Sua memória seguirá como referência para novas gerações de servidores, economistas e ativistas.