Em 1990, delegação de parlamentares brasileiros esteve com Mandela, na África do Sul: Paulo Paim, Edmilson Valentim, Benedita da Silva (encoberta), Carlos Alberto Oliveira (Caó) e João Herrmann Neto. Acervo ÌROHÌN O Centro Cultural Banco da Amazônia abriu suas portas em Belém com uma mostra dedicada a um dos maiores símbolos da luta pela justiça e contra o racismo no século XX: Nelson Mandela. A exposição “Mandela, Ícone Mundial de Reconciliação” marca a estreia do espaço e propõe uma reflexão sobre a trajetória de um líder cuja história ultrapassa fronteiras e tempos. O novo centro, localizado no prédio histórico do Banco da Amazônia, nasce com a proposta de ser um espaço permanente de diálogo entre arte, história e diversidade cultural da região amazônica, acolhendo exposições, performances e produções contemporâneas que expressem as múltiplas identidades do Norte do país. A mostra inaugural, realizada em parceria com o Instituto Brasil África (IBRAF), apresenta um conjunto de fotografias, documentos e narrativas que percorrem desde a juventude de Mandela até seu legado como o primeiro presidente negro da África do Sul. A curadoria, assinada por Christopher Till e Mary-Jane Darroll, oferece uma leitura sensível de sua trajetória, das lutas contra o apartheid à construção de uma democracia. Entre as imagens expostas, estão registros emblemáticos de Mandela em Robben Island, onde passou 18 dos 27 anos de prisão, e momentos históricos como sua libertação, o voto nas primeiras eleições democráticas sul-africanas e a posse em 1994. Cada fotografia é acompanhada de trechos de discursos e reflexões do líder, compondo uma narrativa visual e textual sobre coragem, humanidade e reconciliação. A exposição também permite ao público acessar gratuitamente o livro digital “Mandela, Ícone Mundial de Reconciliação”, coordenado por João Bosco Monte. A publicação reúne 104 páginas com imagens históricas e citações de Mandela, acompanhadas de breves contextos sobre cada etapa de sua vida. O volume está disponível para download no site do Centro Cultural Banco da Amazônia (www.bancoamazonia.com.br/centrocultural). Mandela e o Brasil A relação de Nelson Mandela com o Brasil tem marcos importantes na década de 1990. Em 1990, poucos meses após sua libertação, uma delegação de parlamentares brasileiros — Paulo Paim, Edmilson Valentim, Benedita da Silva, Carlos Alberto de Oliveira (Caó) e João Herrmann Neto — esteve com Mandela na África do Sul. O encontro integrou as articulações internacionais de solidariedade à transição democrática sul-africana e ao fim do Apartheid. No ano seguinte, em 1991, Mandela visitou o Congresso Nacional, em Brasília, onde foi recebido com homenagens por parlamentares e representantes de movimentos sociais. A visita consolidou os laços entre Brasil e África do Sul, evidenciando afinidades históricas e políticas entre as duas nações. A exposição “Mandela, Ícone Mundial de Reconciliação”, em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia, retoma essa aproximação histórica e cultural, destacando o papel do diálogo entre Brasil e África na construção de uma memória comum sobre liberdade, justiça e igualdade racial.