Por ocasião dos cem anos da Lei Áurea, em 1988, o debate público sobre a abolição da escravidão atravessou jornais de todo o país. Longe de um consenso comemorativo, o período foi marcado por críticas, denúncias e questionamentos profundos sobre o racismo estrutural e os limites da chamada liberdade conquistada. Este índice reúne matérias e artigos assinados publicados na imprensa brasileira nos dias que cercam o 13 de Maio daquele ano. Organizado por Edson Lopes Cardoso e incorporado à sua dissertação de mestrado defendida na UnB, o documento sistematiza um amplo conjunto de vozes que intervieram naquele momento decisivo. Ao disponibilizar este material, o IROHIN reafirma seu compromisso com a preservação da memória do movimento negro e com o acesso a fontes primárias fundamentais para a pesquisa, a educação e a reflexão crítica sobre a história do Brasil. Mais do que um índice, trata-se de um registro da disputa de narrativas sobre a abolição e seus sentidos no presente. Leia abaixo:
O ÌROHÌN apresenta textos de Agostinho Neto, poeta, intelectual e liderança do processo de libertação de Angola, sobre a Libertação Nacional
Foto: Embaixada da República de Angola Apresentamos o texto “Sobre a Libertação Nacional”, de Agostinho Neto, documento que integra o acervo do ÌROHÌN e registra intervenções públicas do autor em universidades africanas durante o processo de libertação e consolidação da independência de Angola. Agostinho Neto ocupa um lugar central na história política e intelectual de Angola. Nascido em 1922, formou-se em Medicina em Portugal, onde se aproximou dos círculos anticoloniais e da produção literária africana de língua portuguesa. Sua atuação pública expressou a articulação entre pensamento crítico, prática política e projeto nacional, característica marcante dos processos de libertação africanos do século XX. Foi autor de uma obra poética amplamente reconhecida, com livros como Quatro Poemas de Agostinho Neto (1957), Poemas (1961), Sagrada Esperança (1974) e A Renúncia Impossível (1982). Sua figura se construiu como referência na formulação de uma ideia de Angola soberana e inserida no horizonte mais amplo das lutas anticoloniais do continente. Agostinho faleceu em 1979, deixando um legado que ultrapassou a liderança política e o consolidou como referência intelectual das lutas anticoloniais africanas. O texto a seguir, de Edson Cardoso, apresenta e contextualiza o documento: “Conheça uma publicação da União dos Escritores Angolanos (junho, 1985), do arquivo do ÌROHÌN, com dois textos de manifestação pública de Agostinho Neto (1922-1979) em países africanos. Agostinho Neto, líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), poeta e primeiro presidente do país após a libertação de Angola do domínio colonial português. O primeiro documento é uma Conferência realizada na Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia, em 7 de fevereiro de 1974. E o segundo documento é um discurso pronunciado na universidade de lagos, Nigéria, em 20 de janeiro de 1978.” Leia o texto completo a seguir: