- Bruno Kleiman e Flávia Mantovani
- De São Paulo para a BBC News Brasil
Neto de uma mulher negra nascida na Bahia, o consultor de vendas Clayton Muniz Filho, 29, que mora na cidade de São Paulo, interessou-se em saber mais sobre a origem de sua família, mas esbarrou em uma dificuldade comum entre descendentes de escravizados no Brasil: a falta de documentos e registros de seus ancestrais.
Ele, então, decidiu fazer um teste de DNA, que detectou que cerca de 30% de sua ancestralidade é proveniente da região onde hoje fica o Benin — país da costa ocidental da África de onde saíram muitos dos escravizados enviados à força para o Brasil no período colonial.
“Um descendente de italianos consegue saber que o tataravô veio da Itália para produzir vinho, por exemplo. Mas, se você é negro, não tem esse privilégio de saber sobre sua linhagem, a origem de sua família. Houve um apagamento desses registros ao longo da história”, afirma o consultor de vendas.
Com o teste de ancestralidade em mãos, Clayton decidiu aproveitar uma oportunidade oferecida pelo governo do Benin a todos os afrodescendentes do mundo com antepassados naquela região: a obtenção da cidadania do país.
O brasileiro agora aguarda uma resposta, que vê como “uma peça de quebra-cabeça” que o ajudará a completar sua trajetória familiar.
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