Por ÌROHÌN
Em 20 de novembro de 1995, milhares de mulheres e homens negros atravessaram Brasília afirmando um projeto de futuro. No tricentenário de Zumbi, a Marcha Contra o Racismo, Pela Cidadania e a Vida marcou um capítulo decisivo da história política brasileira. As imagens de Carlos Moura, hoje também disponíveis no acervo digital do ÌROHÌN, registraram uma Esplanada tomada por faixas e cartazes que anunciavam um horizonte comum: Zumbi vive. O passado era convocado como força de disputa no presente, associado ao direito à vida, à moradia, ao trabalho digno, à terra para as comunidades quilombolas, à saúde, à educação e ao fim da violência policial.
Como escreveu Edson Cardoso, o Movimento Negro havia constituído, com Palmares no centro, uma identidade coletiva capaz de reivindicar direitos sociais, culturais, econômicos e políticos, protestando, cantando e dançando. A Marcha de 1995 foi um gesto de reorganização da memória e da política, capaz de deslocar o debate nacional e exigir do Estado ações concretas contra o racismo e a desigualdade racial.
A Separata da Marcha, que lançamos agora em edição comemorativa, reúne as vozes, as imagens e o programa político que o Movimento Negro apresentou ao país, fruto da mobilização de entidades, sindicatos, movimentos populares, organizações de mulheres negras e comunidades rurais. É também um registro de sua força política, pois ao ampliar e projetar nacionalmente vozes que há décadas desmontavam o mito da democracia racial, a Marcha de 1995 consolidou um novo ciclo de ação coletiva e disputa pública.
A disponibilização desta separata se insere na véspera da Marcha de Mulheres Negras de 2025, que mais uma vez convocará o país a encarar as violências que persistem contra a população negra. A luta contra o racismo, pela cidadania e pela vida segue orientando novas gerações de mulheres negras que insistem em projetar um futuro de dignidade, liberdade e justiça.
Esta edição é um convite ao estudo e ao compromisso. Que as imagens e as palavras de 1995 reforcem o que o Movimento Negro ensinou ao país: a democracia brasileira só avança quando negras e negros avançam.
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