Foto: Gilberto Soares (IV Encontro Julho das Pretas que Escrevem no DF – 2024)
Encontro literário promovido pelo coletivo Coletivo Julho das Pretas que Escrevem chega à quinta edição com homenagens, lançamentos de livros e sarau no Museu Nacional da República
No próximo dia 26 de julho, o Museu Nacional da República, em Brasília, recebe a quinta edição do encontro Julho das Pretas que Escrevem no DF, atividade literária que celebra a produção de mulheres negras e marca o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, além do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. O evento acontece das 14h às 18h e integra a programação do Festival Latinidades 2025.
Neste ano, o tema escolhido é “Escrever o afrofuturo“. O encontro homenageia quatro mulheres que atuam com a palavra: as escritoras Andressa Marques, Ramila Moura e Ana Rossi, a jornalista Juliana Cézar Nunes, e a compositora e Mestra Martinha do Coco.
A programação inclui rodas de conversa, sarau, lançamento e venda de livros e apresentações artísticas. A entrada é gratuita, mediante inscrição via formulário disponível nas redes sociais do coletivo (@julhodaspretasqueescrevemdf). O público geral pode acompanhar as instruções do Festival Latinidades para retirada de ingressos.
Criado em 2021, o coletivo Julho das Pretas que Escrevem no DF reúne hoje cerca de 70 autoras, entre poetas, cronistas, romancistas, escritoras de literatura infantojuvenil e outras profissionais da cadeia do livro, como editoras, revisoras, capistas e ilustradoras. A proposta do encontro é fortalecer redes, fomentar a troca entre autoras negras do Distrito Federal e valorizar sua produção, muitas vezes invisibilizada no cenário nacional.
Entre os lançamentos previstos estão a coletânea “Oralidade agora se escreve“, organizada por Lia Vieira, com homenagem à matriarca Lydia Garcia; o livro “Ananse“, de Nanda Fer Pimenta, e a obra “Ipês não são domesticáveis“, de Waleska Barbosa.
A poeta Kaju, que participa do encontro desde sua criação, resume o espírito da iniciativa:
“Faz a gente se sentir menos sozinha como escritora negra. Pelo menos eu, saio de lá nesse clima maravilhoso sempre presente no nosso encontro que é de autoestima, coletividade, mulheres pretas juntas saindo da solidão, da escrita solitária. Eu amo, me sinto viva e próspera”
Homenageadas 2025
- Andressa Marques – É escritora, professora, doutora em literatura pela Universidade de Brasília e fez parte das primeiras turmas de cotistas do país. A construção (Editora Nós), seu romance de estreia, foi vencedor do concurso Toca Literária.
- Juliana Cézar Nunes – é jornalista, nascida em Curitiba (PR) e criada em diversas cidades do Brasil. Formada pela UnB, possui especialização em Bioética, mestrado em Comunicação Social e doutorado em Poder e Processos Comunicacionais. É fundadora da Cojira-DF, da irmandade Pretas Candangas e do coletivo Paó Comunicação. Tem ampla produção jornalística e acadêmica nas áreas de bioética, comunicação pública, negra e de gênero. Foi premiada com reconhecimentos como os prêmios Tim Lopes, Vladimir Herzog, Petrobras de Jornalismo, Líbero Badaró e o Trófeu Yalodê.
- Mestra Martinha do Coco – nascida em 1961 em Olinda (PE), migrou aos 17 anos para Brasília e se estabeleceu no Paranoá. Trabalhou como babá e gari antes de se firmar como cantora e brincante. Com um estilo próprio conhecido como “Coco do Cerrado”, mistura ritmos tradicionais como maracatu, ciranda e coco. Lançou os discos Rodas Griô (2017) e O Perfume Dela (2019), e prepara Coco de Ninar. Já levou seu trabalho à África e à Argentina. É uma das principais referências da cultura popular no DF, premiada por instituições como o Ministério da Cultura e a Câmara Legislativa
- Ramila Moura – é jornalista, formada pela Universidade Católica de Brasília e pós-graduanda em Letramento Informacional na UFG. Escreve desde a infância e atua com poesia, crônica e jornalismo. Lançou seu primeiro livro em 2020, Antes que o ano acabe vou publicar meu primeiro livro, e o single autoral Eu vou tecer em 2021. Participou de coletâneas da Off Flip e publicou na revista REMHU sobre migração e arte. Sua escrita é marcada pela sensibilidade e compromisso com a palavra.
- Ana Rossi – poeta, tradutora e professora da UnB, criada entre o Brasil e a Bélgica. Com oito livros publicados, iniciou a carreira literária na França e tem obras em poesia, crônica e tradução. Seu livro de crônicas Eu na medida de mim mesma venceu o International Latino Book Awards. Traduziu Miguel de Unamuno e publicou recentemente o livro de poesia Senda (2024). Foi finalista da Off Flip 2023 e preside o Sindicato dos Escritores do DF.
Programação – 26 de julho
- 14h – Abertura
- 14h15 – Homenagem às autoras
- 15h – Lançamento de livros
- 15h30 – Sarau literário
- Durante todo o evento – Venda e exposição de livros
- 18h – Encerramento
SERVIÇO
Julho das Pretas que Escrevem no DF
📅 26 de julho de 2025 (sábado)
🕒 14h às 18h
📍 Museu Nacional da República – Festival Latinidades
📲 Informações e inscrições: @julhodaspretasqueescrevemdf
