Por Lúcia Xavier
Quando Criola nasceu José Marmo ouviu o choro e se encantou. Logo no primeiro ano de vida nos ajudou a enfrentar desafios complexos como o da Aids, enquanto ele mesmo atuava para que os terreiros de matriz africana conhecessem a epidemia que batia às suas portas, além da própria intolerância religiosa.
De mãos dadas conosco desenvolveu diversas ações no campo do direito à saúde, formando ao longo dos anos 2000, mais de 300 ativistas, do Rio e de outras regiões do país, para consolidar a política de saúde da população negra, aperfeiçoar os processos de participação e educação; ampliando assim os nossos direitos.
Marmo conduziu oficinas sobre mortalidade materna na região metropolitana do Rio de Janeiro; elaborou cartilha para a formação sobre quesito cor para funcionários do Sistema Único de Saúde/Rio; representou Criola no Conselho Estadual de Saúde e ainda organizou o Fórum Estadual de Saúde da População Negra.
De 2010 a 2016, começou a coordenar o Projeto Ponto de Cultura Negras na História, desenvolvendo oficinas sobre presença e o pensamento das mulheres negras, trazendo o debate da representação social, da produção cultural e artística, religiosidade, produção científica e sobretudo, a memória de mulheres negras que foram fundamentais para o enfrentamento do racismo patriarcal. Promoveu o lançamento de livros e shows de música de mulheres negras. Elaborou a revista Negras na História e um livreto Negras Histórias: mulheres negras em luta pela arte e pela vida.
Marmo também foi crucial para a organização e suporte do Curso de Atualização da Diáspora Africana (2012-2016), articulando também o intercâmbio entre alunos da Universidade do Texas e lideranças comunitárias, intelectuais, artistas, religiosas de matriz africana e quilombolas.
Como blogueiro, criou e alimentou o blog de Criola: http://criolaong.blogspot.com.
Marmo também colaborou como homem negro a manter Criola viva no seu período de crise, de mãos dadas para nos levantar e agir.
Marmo foi e sempre será parte de nossa história.
