Capa do livro Ciclo de Debates do Teatro Casa Grande (1976), Editora: Inúbia.

Em 1975, em plena ditadura militar, o Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, tornou-se palco de uma série de encontros públicos entre artistas, intelectuais e militantes políticos que buscavam discutir os rumos da cultura e da democracia no Brasil. Conhecidos como os “Debates do Teatro Casa Grande”, esses eventos ganharam notoriedade por reunirem nomes centrais da oposição ao regime e por expressarem o desejo de reconstrução política do país a partir do campo cultural.

Excetuando-se duas breves alusões, os famosos debates ignoraram o racismo e as desigualdades raciais. No ano seguinte, 1976, sairia o disco “África Brasil”, de Jorge Ben, e a criação do Movimento Negro Unificado é de 1978, para ficarmos em dois exemplos do que estava por acontecer, mas cujos sinais ostensivos foram ignorados pela intelligentsia que então se articulava em oposição à ditadura: a agitação cultural e política dos negros.
O texto de Edson Cardoso, escrito em dezembro de 2021 e agora publicado pelo ÌROHÌN, revisita esse silêncio e interroga seus significados políticos. Ausente da coletânea Nada os trará de volta (Companhia das Letras, 2022), o artigo se soma a outros textos que ficaram de fora daquela edição e que ajudam a iluminar as tensões entre democracia, cultura e questão racial no Brasil contemporâneo.
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