O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou o Boletim de Conjuntura nº 46 com críticas ao atual modelo de política fiscal e alertas sobre os limites do novo arcabouço para enfrentar a desigualdade social no país.
Segundo o boletim, a política de ajuste permanente imposta pelo regime fiscal em vigor compromete a capacidade do Estado de investir em áreas estratégicas como saúde, educação e infraestrutura, além de limitar políticas de geração de emprego e renda. O DIEESE defende a ampliação dos investimentos públicos como condição indispensável para o desenvolvimento, especialmente em um cenário de alta desigualdade.
O documento afirma que o foco excessivo no equilíbrio das contas públicas, sem considerar as necessidades sociais, tende a aprofundar a exclusão. Para o órgão, o debate sobre a política fiscal deve incluir a revisão de renúncias tributárias, a tributação de altas rendas e a reformulação do próprio arcabouço fiscal aprovado em 2023.
Embora destaque uma recuperação no mercado de trabalho formal — com crescimento de 3,9% nas vagas com carteira assinada no primeiro trimestre —, o boletim alerta para o baixo dinamismo dos salários e a queda na proporção de reajustes acima da inflação.
O DIEESE também critica a manutenção de juros elevados e aponta riscos em propostas legislativas em tramitação, como a PEC da autonomia do Banco Central e a reforma administrativa.