Unesco deve reconhecer acervo de Luiz Gama como Patrimônio Documental Mundial

Retrato de Luiz Gama, c. 1880, autor desconhecido. Fonte: Wikimedia Commons (domínio público)

Fonte: Consultor Jurídico

Unesco deve anunciar, nas próximas semanas, o reconhecimento dos documentos históricos do abolicionista Luiz Gama como Patrimônio Documental da Humanidade. Os arquivos a serem incluídos fazem parte do acervo “Presença negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade”.

Luiz Gama foi um abolicionista, advogado, escritor e jornalista negro que dedicou sua vida à defesa da liberdade de pessoas escravizadas, usando brechas legais para provar que escravizados nascidos na África e sequestrados para o Brasil deveriam ser protegidos por Lei brasileira. Sua atuação jurídica resultou na libertação de pelo menos 500 pessoas.

“Nascido em Salvador, em 1830, Luiz Gama foi vendido como escravo pelo próprio pai aos 10 anos, foi escravizado, aprendeu a ler e escrever e de forma autodidática e transformou sua trajetória em um símbolo de resistência, justiça e emancipação. O reconhecimento do acervo pela Unesco reafirma sua importância não apenas para o Brasil, mas para toda a humanidade”, diz Abilio Ferreira, Coordenador geral da Sociedade Luiz Gama.

Manuscritos

O conjunto de manuscritos reconhecido pela Unesco inclui cartas de emancipação, registros de africanos ilegalmente traficados, documentos judiciais e artigos de Gama publicados na imprensa da época.

Parte desse acervo foi identificado, transcrito e divulgado por Bruno Rodrigues de Lima, historiador, advogado, pesquisador do Instituto Max Planck e autor de Obras Completas de Luiz Gama, responsável por localizar os arquivos de Gama — obra fundamental para compreender a história social e jurídica de São Paulo e do Brasil.

Lima, que estuda da obra de Luiz Gama há mais de vinte anos e já ganhou um Prêmio Jabuti Acadêmico em Direito com o livro Direito 1870 – 1875 / Luiz Gama, diz que a conquista é um título mundial para o abolicionismo negro brasileiro.

“Será a primeira vez que um abolicionista brasileiro tem a sua produção literária reconhecida como patrimônio da humanidade. […] É um feito inédito para a luta dos escravizados no Brasil, que teve em Luís Gama o seu maior expoente como aquele que articulou o principal manifesto contra a escravidão escrito no Brasil — que são seus escritos abolicionistas”, afirma o historiador.

Leia a matéria completa em: https://www.conjur.com.br/2026-abr-14/unesco-deve-reconhecer-documentos-de-luiz-gama-como-patrimonio-documental-mundial/

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